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Por que o paladar muda com o tempo?

Lucilia Diniz

Você se lembra de, quando criança, ter vontade de comer uma bomboniere inteira; mas, agora adulto, os mesmos bombons parecem doces demais? E aquela receita que era intragável, mas agora você comeria todos os dias sem problemas? Enfim, por que o paladar muda tanto com o passar o tempo?

Diversas pesquisas já apontaram que a percepção dos alimentos muda muito durante a vida. Alguns aspectos podem ser mudados propositalmente, por meio de uma reeducação alimentar; já outros acontecem involuntariamente, conforme o amadurecimento de cada pessoa.

Um fato que costuma ser comum é que crianças têm preferência natural por doce. Um dos motivos é que eles gastam muita energia no processo de crescimento e na “agitação” comum da idade, então, o corpo pede mais energia – ou seja, a glicose do doce. Outro motivo pode ser considerado como uma espécie de herança do primeiro alimento, o leite materno, que é razoavelmente doce.

Acostumados com o doce, a repulsa por novos alimentos é natural do corpo humano, como uma forma de evitar envenenamentos. Por isso, é comum a repulsa por legumes, verduras e alimentos azedos na infância. Estudos mostram que a criança sente o amargo com mais intensidade também, o que pode dificultar sua ingestão voluntária. Mas nada que o hábito de ter sempre à mesa não possa reverter tranquilamente.

Na fase adulta, boas experiências podem mudar a relação de uma pessoa com o alimento. A cerveja e o café, por exemplo, são bebidas amargas,  mas, por estarem associadas à confraternização, viram mel na boca de muitos adultos.
Da mesma forma, experiências ruins podem trazer aversão a um alimento, como um porre inesquecível de vinho pode mudar a preferência da pessoa pela bebida.

Outro ponto que pode mudar o paladar é a ingestão de medicamentos e tratamentos químicos pesados. Uma pesquisa da USP explicou a relação inusitada entre alguns pacientes com câncer e a vontade de comer salgadinhos. Como a radioterapia dificulta reações químicas na boca em relação ao gosto salgado, os pacientes acabam comendo mais salgados – bem salgados – para sentir o gosto.

Na velhice também acontece uma mudança na percepção geral do gosto, que decai. Com a diminuição do número de células sensíveis nas papilas gustativas, os alimentos ficam menos saborosos. Dessa forma, é comum alguns idosos perdem o interesse pela comida – ou começarem a carregar a mão no tempero para sentir mais gosto.

Written by Mayra Michel

Jornalista por formação e vocação. Apaixonada pelos desafios da escrita e pelo aprendizado diário do Português. Na caminhada da Comunicação desde 2004, ainda tem muito o que viver nessa profissão que "quem conhece, não esquece jamais" (sim, sou mineira!).

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